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O desenvolvimento de um e-book

O desenvolvimento de um e-book

Livro físico e eletrônico são produtos complementares

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02.2012
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“Um dos nossos objetivos foi proporcionar uma usabilidade diferenciada ao leitor”, afirma Daniel Mendes.Em um artigo sobre e-books assinado por Fabio Eduardo Amaral, do TecMundo, o autor faz uma analogia interessante para explicar o que é o livro eletrônico. Ele o compara a cartas e e-mail, afirmando que os livros digitais se encaixam no mesmo conceito. Vale lembrar que a obra digital, além de ter o mesmo conteúdo da versão impressa, oferece um leque de possibilidades de interação entre a obra e o leitor, agregando informações.

A Fluida, agência de mobile marketing e mídias sociais, acaba de disponibilizar nas versões de aplicativos para iPhone e iPad o best-seller “Cem Dias entre o Céu e Mar”, de Amyr Klink, lançado pela Companhia das Letras. A narrativa é o relato de uma emocionante expedição realizada em 1984, na qual Klink, sozinho e a bordo de um pequeno barco a remo, atravessa o Oceano Atlântico deixando a cidade de Lüderitz, na Namíbia, chegando após cem dias em Salvador, no Brasil. Em entrevista, Daniel Mendes, diretor da Fluida, conta como foi feita essa adaptação de um livro físico ao formato digital.

Qual o maior desafio em desenvolver um aplicativo para e-book como o do livro de Amyr Klink “Cem Dias Entre o Céu e Mar”?

Aplicativo do livro “Cem Dias entre o Céu e Mar” conta com interface interativa.Daniel Mendes: Os livros eletrônicos devem ser simples
e apresentar vantagens ao leitor. Por isso, pesquisamos intensamente sobre os livros digitais presentes no mercado, assim como aplicativos de navegação, GPS, orientação náutica e correlatos. Um dos nossos objetivos foi proporcionar uma usabilidade diferenciada ao leitor. Então, há a possibilidade de ele ler em ambiente escuro e ajustar o tamanho da fonte, além de trazer conteúdo bastante dinâmico e interativo, usando o mapa do mundo como índice do livro, que traz o oceano Atlântico entre a África e América do Sul (ver figura do aplicativo abaixo). Essa interface é o índice onde se encontram capítulos que relatam passagens emocionantes e curiosas da jornada de Amyr. O leitor pode visualizar as principais datas da viagem, coordenadas geográficas, as aventuras no local exato do acontecimento, correntes oceânicas, pressões atmosféricas enfrentadas, a carta náutica, entre outras curiosidades. Apesar de toda essa interatividade, a interface de leitura do texto é limpa e fácil de usar, com grande alusão ao livro físico. Essa característica mantém o processo lúdico imaginativo natural de ler um livro, folhear suas páginas e imaginar as situações. A diferença é que, se o leitor quiser, pode ter uma visão mais completa da história e da embarcação, acessando a um toque a parte interativa do livro.

Como acontece essa interação?

Daniel Mendes:
O diário de bordo é um bom exemplo. O Amyr Klink produz um diário onde ele mostra todas as emoções, vitórias e angústias vividas durante a expedição, que foi reproduzido no e-book. O leitor que se interessa por determinada passagem pode dar um zoom e ler as anotações do Amyr. Também é possível conhecer a Lâmpada, apelido dado por Klink ao barco. O usuário visita o veículo através de quatro visões interativas: o interior do barco, os objetos e instrumentos de navegação, a parte de fora através das vistas externa, superior e interna. Ao tocar diretamente na tela, nos desenhos do barco, são exibidos o nome, detalhes e função, descritos pelo próprio Amyr Klink. 

No mapa, é possível interagir com as aventuras, perigos, encontros e emoções do navegador, e ainda visualizar as correntes marítimas, pressões e coordenadas geográficas. A experiência de ler o livro e acompanhar os objetos, o mapa e o dia a dia do navegador faz com que o leitor se aprofunde ainda mais na história.

Nova ortografia, ilustrações e mapas? Foram obstáculos ou soluções?

Vistas da Lâmpada, o barco de Amyr Klink. Daniel Mendes:
Para a Fluida, foram soluções. Soluções trabalhosas, diga-se de passagem, pois tivemos de redesenhar tudo, uma vez que havia desenhos técnicos, além de produzir muitas ilustrações como a do barco, pois os tablets exigem imagens em alta definição. Tudo isso visando à interação, mas levando em consideração que são soluções para oferecer um produto simples de qualidade ao leitor. No caso do texto, recebemos o material da Companhia das Letras pronto de acordo com o padrão de qualidade da editora e o repassamos para o aplicativo iPad e iPhone.

E o desenvolvimento em si. Como acontece?

Daniel Mendes: A primeira etapa é a pesquisa e o estudo
. Baixamos diversos livros eletrônicos. Analisamos aplicativos leitores de fabricantes diferentes como Kindle, da Amazon, IBooks, Freebooks e outros aparelhos. Diagnosticamos os pontos fracos e fortes de cada um. Desenhamos as melhores práticas e tudo que deveria ser evitado. Já em um segundo momento, que é o de pensar na usabilidade e arquitetura da informação, mergulhamos nos aplicativos, inclusive os analógicos. Tivemos reuniões presenciais com a Companhia das Letras e com Amyr Klink, além de podermos acessar seus documentos com o objetivo de criar um projeto de funcionalidade. O terceiro passo tratou do design gráfico do e-book, e o quarto momento foi o desenvolvimento técnico e programação do aplicativo. Nesse caso, foi desenvolvido para iOS, portável para iPad, iPhone e iPod. O fundamental foi a atuação de todas as áreas em sinergia e colaboração.

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