Contafio

Biografias

Biografias

Há diferenças entre biografias autorizadas e consentidas?

26
12.2011
10

A biografia é um dos gêneros literários mais populares entre os leitores. Especialmente para quem é fã de uma personalidade ou para algum curioso que queira saber detalhes sobre a vida privada de um artista, político ou grande empreendedor, por exemplo.

“Entenda que tanto um astro quanto uma empregada doméstica podem colaborar com novos e preciosos fatos”, diz o escritor Denilson Monteiro.Mas existe alguma diferença entre biografia autorizada e biografia consentida? Para a escritora Regina Echeverria, autora de “Sarney: Uma Biografia” (Editora Leya, 2011), não. “Não vejo diferença entre uma e outra. Autorizar e consentir, no caso, significam a mesma coisa. Ou seja, o personagem principal concorda (ou autoriza) que se escreva a sua história em forma de biografia”, pontua.

Já para Denilson Monteiro, que escreveu “A Bossa do Lobo: Ronaldo Bôscoli” (Editora Leya, 2011), há diferenças. “Acredito que a autorizada seja aquela em que o biografado ou seus herdeiros permitem o trabalho, inclusive com documento assinado e muitas vezes acompanhando o desenrolar. Já a consentida é aquela em que o biografado toma conhecimento de que o autor a está realizando, mas não interfere em nada e fica sabendo do conteúdo do trabalho ao mesmo tempo em que os leitores. Infelizmente, no Brasil, um país onde liberdade de expressão é algo relativo, em alguns casos a autorização com firma reconhecida se faz necessária”, explica o escritor.

O passo a passo da biografia

Para a escritora Regina Echeverria, a pesquisa é a alma da biografia: “Sempre começo por ela, depois faço as entrevistas”, revela.O processo de produção de uma obra é bastante trabalhoso e desafiador. É preciso ter disciplina, atenção e energia para passar um longo período pesquisando sobre a vida de uma personalidade.

“A pesquisa é a alma da biografia. Sempre começo por ela, depois faço as entrevistas e, por fim, o texto, que também sofre muitas alterações durante o período de trabalho, até chegar ao final”, revela Regina.

Para Monteiro, é importante ter a aprovação da família para iniciar a produção. “Eu sempre procuro entrar em contato com os herdeiros e saber se concordam com o trabalho. Depois de receber uma resposta positiva, inicio o trabalho indo a centros de pesquisa e entrevistando pessoas que conviveram com meu biografado. É um longo processo que demanda dedicação e determinação”, afirma.

Para produzir uma biografia, também é preciso ter dinheiro. “Escrever uma obra, em especial uma biografia, demanda certo capital a ser empregado em livros, viagens, telefonemas, cópias de documentos e muito mais”, diz o autor.

Erros e dicas

Alguns erros comuns cometidos por quem escreve uma biografia são: deixar escapar acontecimentos importantes da vida do personagem; perder um bom depoimento; e ser parcial.

“É necessário relatar virtudes e defeitos do biografado de uma maneira equilibrada. A preguiça também resulta em um trabalho ruim, pois não se deve ignorar uma fonte ou um entrevistado simplesmente por não se estar com vontade de pesquisar mais e por se achar que o que se obteve em termos de informação já é o suficiente”, alerta o escritor.

Monteiro destaca ainda a importância de conhecer a vida do biografado. “Viva a vida de seu biografado e daqueles que conviveram com ele, procure comportar-se como se fizesse parte da turma. Jamais ignore um possível entrevistado. Entenda que tanto um astro quanto uma empregada doméstica podem colaborar com novos e preciosos fatos. E nunca pare de buscar informações sobre todos os assuntos”, conclui Denilson Monteiro.

comentários

  • Julio As biografias de celebridades ajudam a formar o retrato de um país e de quem o fez. No caso do Denilson, escreveu muito bem biografias de gente que participou ativamente da vida cultural do Brasil. Pena que não posso dizer o mesmo da Regina, ao escrever um livro sobre o Sarney... responder 4 0
  • Julio As biografias de celebridades ajudam a formar o retrato de um país e de quem o fez. No caso do Denilson, escreveu muito bem biografias de gente que participou ativamente da vida cultural do Brasil. Pena que não posso dizer o mesmo da Regina, ao escrever um livro sobre o Sarney... responder 0 0
  • Gustavo Alonso A biografia é um gênero que vem se destacando há algum tempo não apenas no Brasil. Denilson Monteiro é um dos principais nomes que atuam no sentido da popularização cada vez maior do gênero, com qualidades bastante louváveis. responder 3 0
  • Ricardo Pugialli Acompanho o trabalho do Denilson desde a biografia de Carlos Imperial. Novamente sou brindado com um trabalho profundo, bem fundamentado em belas entrevistas e bom material ilustrativo. E lendo suas dicas e toques sobre como iniciar e desenvolver um trabalho biográfico fico feliz em termos escritores com esta consciência e competência. Parabéns à literatura Nacional. responder 2 1
  • Valéria Medeiros Excelente matéria e perfeita a definição da diferença entre biografia autorizada e consentida feita pelo escritor-pesquisador Denilson Monteiro. Acompanho o trabalho do Denilson Monteiro ( biografia do Carlos Imperial e Ronaldo Boscoli, e sua preciosa colaboração nas biografias Tim Maia, , Clara Nunes, e Erasmo Carlos) e vejo o cuidado e a responsabilidade na pesquisa e na sua profunda sensibilidade ao escrever sobre nomes tão importantes da nossa cultura. Parabéns Denilson Monteiro! Continue nos presenteando com seus trabalhos e acrescentando prazer na vida dos leitores. responder 2 0
  • Erik Malagrino A paixão pela profissão, pela música e por seus biografados, faz de Denílson Monteiro um biógrafo com algo a mais! Ele consegue ver e ouvir nas entrelinhas e repassar isso em seus textos! Certamente um dos maiores escritores desse gênero literário, de nossa época. responder 2 1
  • ludmila pereira Passei a acompanhar o trabalho do Denilson Monteiro depois de ler, devido a uma grande insistência do meu namorado, a biografia do Carlos Imperial. Achava o Imperial um aproveitador, um esperto . Ao começar a ler e não conseguir parar , descobri um Imperial inteligente, culto e parecia que estava convivendo com ele ali. Descobri amigos que eu não sabia que tinham convivido com o Imperial e curiosa, questionei-os e eles não mudaram uma virgula narrado. Assim passei a confiar na pesquisa do Denilson e depois de ler a do Boscoli , acho que se ele fosse vivo e eu esbarrasse nele, eu o chamaria de Lobo...tão íntima já me sinto. Já estou aguardando o proximo mesmo lendo aí em cima que dá um grande trabalho, muita pesquisa e que ele gasta dinheiro. E obviamente , como sou devoradora de biografias em livros e filmes, concordo com a definição do Denilson...não leio nada que não seja autorizado ,nem a do Roberto Carlos que eu adoro. E assim os livros dele tomam uma maior proprorção para mim, que venha o próximo!!!!! responder 2 0
  • Charles Não tenho o costume de ler biografias. Acho que só havia lido 2 até hoje. Comprei o livro do Denilson Monteiro e comecei a ler na rua. Não parei mais. O texto leve , bem-humorado e direto não te deixa largar o livro. Daqui a pouco leio o DEZ , NOTA DEZ do mesmo autor , sobre o Carlos Imperial. Deve ser tão sedutor quanto A BOSSA DO LOBO. responder 1 1
  • Antero Leivas Denilson B Monteiro está aos poucos tornando-se um dos grandes biógrafos deste país, desde sua pesquisa para o livro de Nelson Motta sobre Tim Maia, passando pelo best-seller sobre Carlos Imperial e desembocando neste ???A Bossa do Lobo: Ronaldo Bôscoli??? que, vem a ser, um símbolo da maturidade do escritor. Mantendo a coerência temática (artistas significativos principalmente para o universo da música), os textos de Denilson começam a conquistar o leitor assim que o autor anuncia o começo de suas pesquisas, tornando-o mais reconhecido a cada trabalho. Creio que Denilson, ao kado de Ruy Castro, está apto a figurar no panteão dos GRANDES no gênero em nosso país, sem dúvida nenhuma. responder 4 0
  • Daniel Camargo Sensacional desvendar este processo detetivesco de montar um quebra-cabeças e mostrar a vida de uma pessoa. E o bom destes novos autores (até agora só li os livros do Denilson Monteiro) renovam o gênero, com dados e fatos bem mais apurados, de uma maneira curiosa, atraente e que prende nossa atenção. Enquanto certos autores deviam ser convidados a se aposentar, uma vez que vivem apenas do nome e fama, sem trazerem um bom trabalho há muitos anos, escritores como Denilson Monteiro deviam ter mais espaço e trabalho para, em termos literários, o Brasil evoluir. Que venham mais biografias e, quem sabe, obras de ficção. responder 1 0

enviar um novo comentário

Comentar como visitante ou logar:
  • Facebook
  • Twitter



@CONTAFIO// siga-nos

Contafio

Marketing, propaganda, mercado editorial, design e produção gráfica. O portal Contafio é o ponto de encontro de todos estes assuntos. Qualquer que seja a sua preferência, aqui você vê notícias, entrevistas, artigos, eventos e tendências sobre todas estas áreas.

política de privacidade termos de uso
Positivo