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Como definir a tiragem de um livro?

Como definir a tiragem de um livro?

Mudanças na produção industrial favorecem edições de baixa tiragem

09
01.2012
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Definir o número de exemplares a serem publicados é fundamental para uma editora – o excesso pode trazer muitos gastos por conta do encalhe. Por outro lado, o esgotamento de obras faz com que a editora tenha que encomendar rapidamente mais livros e os leitores fiquem à espera. O que dizem os editores quando o assunto é calcular tiragem?

Tamanho da tiragem

Thereza Christina Rocque da Motta, editora da Ibis Libris e diretora da Liga Brasileira de Editoras (Libre), afirma que definir o número de exemplares de um determinado título é importante pela questão de custo da edição. Em suas decisões, fatores como dinheiro em caixa e expectativa de vendas influenciam a tiragem.

“É terrível quando a editora mensura erroneamente a tiragem, é o pior dos erros que se pode cometer”, afirma Thereza Christina Rocque da Motta.“Na editora, em geral, apostamos em pequenas edições que exigem um investimento menor e proporcionam um retorno mais rápido no lançamento. O editor precisa conhecer o potencial do livro e investir o que for possível”, comenta Thereza.

Silvia Rebello, com mais de dez anos de experiência no mercado editorial, doutora em Letras e gerente editorial da Singular Digital, afirma que são inúmeros os fatores que influenciam na decisão do tamanho da tiragem inicial de um título.

“Em geral, fatores editoriais e comerciais são essenciais para definição da tiragem: o peso do nome do autor, a previsão de vendas a partir do desempenho de títulos anteriores e a atualidade do tema. No entanto, pesam também as condições técnicas e orçamentárias. A indústria editorial tem mudado em toda a sua cadeia e, quanto ao tema em questão aqui, as mudanças na produção industrial do livro têm efeitos de grande impacto”, diz Silvia.

A profissional analisa que, até recentemente, editores que optassem por publicar um novo título tinham de se comprometer com uma tiragem mínima de cerca de mil exemplares — isso significava que, além dos custos de pré-produção, o editor era forçado a investir altos valores em papel e gráfica, sem nenhuma garantia de retorno.

“Atualmente, com a queda drástica dos custos de produção industrial de alta qualidade, o mercado editorial vive um momento em que pode fazer uma tiragem realmente compatível com um lançamento de risco e passar a atender seus clientes (livrarias, consumidores finais etc.) com o recurso da impressão e da distribuição sob demanda”, afirma Silvia.

Mensuração da tiragem dos livros

Silvia Rebello: “As mudanças na produção industrial do livro geram efeitos de grande impacto.”Para Thereza, é terrível quando a editora mensura erroneamente a tiragem, é o pior dos erros que se pode cometer.

“Infelizmente nem sempre conseguimos acertar. Quando produzimos demais, também erramos. O encalhe é pior do que mandar fazer mais livros, pois é dinheiro parado, em relação ao qual não há perspectiva de recuperação rápida. Mandar imprimir mais exemplares de um livro que está em demanda representa retorno certo em dinheiro. O ruim é quando não se dispõe de fundos para mandar imprimir mais daqueles que vendem bem”, observa Thereza.

Impressão por demanda

Para ela, a impressão por demanda ajuda a minimizar o erro e muda o cenário. “Hoje, o preço do livro por demanda é praticamente o mesmo de um título impresso em offset, com tiragens mínimas de 500. É possível fazer 100, 150 exemplares apenas para o lançamento e depois mandar imprimir mais com o que vendeu”, ilustra Thereza.

Para Silvia Rebello, as editoras em início de carreira tendem a se beneficiar cada vez mais do modelo digital.

“Certamente, as editoras investirão em modelos de distribuição e impressão sob demanda, bem como em livros digitais (e-books). Assim, o mercado se renova, a bibliodiversidade é ampliada, sem desperdício de papel, nem demanda de espaço físico para armazenagem de grandes tiragens. O editor iniciante, assim como todo o mercado, pode agora apostar em títulos com um risco de prejuízo infinitamente mais baixo. Abrem-se assim também as portas para novos autores; e assim ganham também os leitores, com catálogos mais amplos à sua disposição”, aposta.

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